Acontecimentos em Diário

1979.12.28 – Um Dia Cheio, Como de Costume!

Acordei como ultimamente tem acontecido, um pouco abatido. Sem convicção de ir trabalhar, pois tem acontecido o desaparecer da finalidade, do objectivo, que qualquer pessoa terá que ter nesta vida. Um objectivo para o qual caminha, com a certeza que vai chegar. A ideia de que tudo o que tenho feito nada modifica, ou virá a modificar a minha situação futura, leva-me a detestar o actual trabalho, qualquer que seja ele. A ideia de que o trabalho no tear nada me traz de produtivo, e principalmente de criativo, desespera-me. Anseio por trabalho criativo. Tentei hoje de novo manter o ritmo que ontem decidi tomar em relação às amizades (no respeitante aos colegas de trabalho), o Sousa, a Zeza, etc., depositando nas trocas de palavras do costume, uma maior decisão de evidência de personalidade. Tentei e prometi a mim mesmo que iria conseguir. Ontem ainda, mantive-me calado e os sorrisos quase desapareceram. O Sousa como não me viu à vontade, notou qualquer coisa de anormal. Chegámos mesmo a discutir à saída (19h00). Disse que as batatas com o bacalhau do Natal me tinham feito mal!

Todo este meu estado de espírito, depois da visão do filme “HAIR”, provocou-me um mal estar comigo mesmo. Ando irritadiço! Creio que estou a levar muito a sério esta minha talvez pieguice. Ainda hoje de manhã, quando a mãezinha dizia e aconselhava de tom alto como é costume dela, eu me irritei bastante, não deixando ela fazer mais nada. O problema era o dedo grande do pé direito, que está me doendo, devido a uma unha mal cortada. Hoje já para o fim do dia, as conversas francas e risonhas entre mim, o Sousa e o Fernando voltaram de novo. Quando me dava por mim a falar, alguma coisa me fazia lembrar da tentativa da nova “política” quanto aos falatórios. Havia como que duas forças em mim. Uma a puxar, creio que com mais força, para a discussão acesa de problemas menores, entre eles, o tema das conversas é quase sempre as dificuldades e palermices do Sousa. Mal sentia essas forças interiores dizendo que não comigo mesmo, a essas conversas, eu tomava esse ímpeto que tenho de falar apalermadamente, não ligando ao que estou a fazer, nomeadamente ao tear, onde a trama acaba sempre sem eu dar por isso. A outra coisa é a bola de cordão que estou fazendo nesse momento. E assim passava alguns minutos conversando e discutindo sofregamente; de repente surgia um sinal do lado da Zeza dizendo ou querendo dizer que a trama estava acabando. Logo de seguida o tear parava por falta de trama. Nesse momento eu sinto uma forte emoção; fico irritado com o tear, com as conversas, com os conversantes, com o cordão e mesmo com a Zeza. Aí sinto um rebaixamento….

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