História da Minha Vida

0.0.2 – O Casamento de Meus Pais

Penso que seria normal nas famílias mais antigas, e na nossa família a tradição mantinha-se, pois o tema do casamento entre os progenitores quase nunca era motivo de conversa ou comentários. A minha mãe, muito de vez em quando, lá falava-nos sobre o tal dia em que eles deram o “nó”! Há sempre, ou quase sempre, uma razão mais ou menos lógica para que isto aconteça e eu lá descobri o porquê! Naqueles tempos havia situações que eram quase tabu, evitava-se a todo o custo falar nelas. Hoje em dia fazem parte da história e são temas que não escandalizam ninguém!

Bem, mas a história começou oficialmente num domingo, dia 10 de Maio de 1953. A cerimónia teve lugar na Igreja Paroquial do Carvalhido e foi celebrada pelo padre António José Soares Pacheco. O meu pai foi identificado como Miguel Fernandes da Rocha, solteiro, operário têxtil e tinha a bonita idade de 23 anos. Já a minha mãe foi identificada como sendo a Primavera Mimosa Veloso Rodrigues, solteira, doméstica e tinha a idade de 17 anos!

Primeira surpresa: a minha futura mãe casou ainda menor e não levava um vestido branco imaculado, mas sim um simples vestido creme, apesar de bonito.

A segunda surpresa resulta do facto de o meu primeiro irmão ter nascido em 27 de Agosto de 1953! Moral da história: o casamento teve mesmo que ser realizado e eventualmente um pouco à pressa! Este acontecimento não teve muito desenvolvimento e conhecimento na nossa família, penso que devido ao facto de esse mesmo meu irmão mais velho ter vindo a falecer no dia 7 de Setembro desse mesmo ano, ou seja, viveu tão pouco, não mais que uns breves 11 dias. O motivo da sua morte,segundo relatos fugidios de minha mãe, foi devido a problemas respiratórios. É claro que se o tema já não era fácil de ser abordado, pelo desajuste do “timing” verificado nessa gravidez, mais difícil ficou pelo trágico desfecho que teve aquele episódio do meu irmão mais velho! Uma certa vergonha nessa altura juntou-se a uma grande dor e desilusão! O tema foi definitivamente banido das conversas familiares e eu só cheguei a este conhecimento por ter efectuado uma pesquisa nos documentos da família. Da boca do meu pai nunca ouvi um comentário sequer que fosse acerca deste assunto e da minha mãe, se algum ouvi, foi tirado a “ferros”! Compreendo agora a razão de ser deste comportamento de meus pais; admito que não era um assunto fácil!

A primeira morada dos meus pais logo após o casamento foi a casa dos meus avós maternos, na Rua Silva Porto nº91, casa 1, bem lá no sótão! Segundo relatos da minha mãe, foram depois viver para uma casa no bairro do Ameal. O meu pai acerca deste episódio, não o desenvolve muito, simplesmente refere que os feitios dele e da sogra, minha avó materna, não eram lá muito compatíveis e assim, logo tiveram que arranjar uma morada nova e independente. Afinal o ditado popular tem razão: “Quem casa, quer casa”!

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