História da Minha Vida

2014.04.25 – 25 de Abril SEMPRE!

Passam hoje 40 anos (já!) sobre o dia 25 de Abril de 1974 e sobre a Revolução dos Cravos! Foi um acontecimento pacífico e inesperado, pelo menos para mim foi! Eu tinha na altura 13 anos acabados de fazer e de tão entretido que estava a estudar, a trabalhar na fabriqueta do meu pai, a traquinar sempre que podia e nessa época também absorvido pela grande novidade que era ter uma nova irmã, tão pequena e diferente, que reconheço não contava nem sentia tão pouco a necessidade de qualquer revolução! O meu pai Miguel nunca comentou nada sobre o regime e depois de ter sido revolucionário durante a sua juventude, agora que tinha família e responsabilidades tinha decidido viver a sua vida com outros objectivos em vista!

Nessa quinta feira 25, levantei-me como normalmente fazia em dias de aulas e depois da minha higiene matinal e pequeno almoço, lá fui para a paragem esperar pelo autocarro 85! Nesse dia lembro-me qua apanhei um dos novos de um andar e laranja e havia pouca gente a viajar! Notei que algo estava estranho, pelo menos diferente, porque as pessoas de mais idade, os adultos estavam mais irrequietos que o costume, falavam mais entre eles e muitos iam a ouvir rádios portáteis colados ao ouvido! A palavra que mais ouvia era “Revolução”! – O que que se passa? Perguntavam as pessoas e aquelas habilitadas a responder porque estavam a ouvir as notícias através da rádio, diziam: – É a revolução em Lisboa! Os militares saíram dos quartéis e estão a tomar o poder!!

Quando cheguei ao liceu Normal de D. Manuel II, as empregadas estavam a anunciar pelos corredores que não havia aulas nesse dia nem no dia seguinte e que nós deveríamos ir imediatamente para casa! Claro que não tinha noção das implicações daqueles feriados súbitos, fiquei satisfeito como qualquer catraio ficaria e lá rumei para casa! Quando cheguei a casa ainda anunciei quase em primeira mão a grande novidade daquele dia e isto porque lá em casa não havia o hábito de ouvir a telefonia, nem as notícias pela televisão, até porque normalmente só se ligava a caixa a preto e branco pelo jantar! O habitual era o pai descer pelas 7h00 e começava logo a colocar as máquinas de cordão a trabalhar e então o ruído permanecia como companhia durante todo o dia na nossa casa e não havia hipótese de ouvir nada, nem que fosse uma Revolução! A rotina voltou quase de imediato; se não havia deveres do liceu para fazer então toca a ir trabalhar para a fabriqueta, dobar e passar fio na velha dobadeira, colocada junto à janela a qual por essa altura era a minha principal tarefa!

Fotos da época não tenho muitas, aliás a única que encontrei do ano de 1974 foi tirada em Outubro e mostra os três irmãos (o Fernando, a Alice pequenita e eu!) no quintal e num domingo, penso eu, porque estávamos demasiado bem vestidos para dia de semana!

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