História da Minha Vida

1.0.0 – Nascimento e Primeiros Anos

Se bem me lembro, a minha mãe dizia que eu tinha nascido pelas 5 horas da manhã do dia 9 de Março de 1961, em Paranhos pois foi no Hospital de S. João! Não tenho recordações da altura em que vivíamos no bairro do Amial. A primeira e a mais antiga recordação que tenho da minha infância é já na casa de Gueifães e passa-se na altura em que uns homens estavam a descarregar uns teares enormes para a garagem de nossa casa. Como sei que o pai pediu uma “licença para explorar uma oficina de passamanarias (elástico e atacadores)” à então Direcção-Geral Dos Serviços Industriais, a qual passou o alvará  de 3ª classe nº 59889, de 3 de Outubro de 1964, daí que tivesse os meus 3 anitos quando tal se passou!

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Lembro-me da minha mãe a trabalhar como tecelã, de nos obrigar a fazer a sesta à tarde, no meio das máquinas, primeiro de boa vontade e depois, mais tarde já contra a nossa vontade. Lembro-me bem das brincadeiras entre as máquinas e do facto de meu pai, muito astuciosamente, me ter “oferecido” uma máquina para que eu olhasse por ela e cuidasse dela muito bem! Era uma máquina caneleira, de encher as canelas que eram depois colocadas nas lançadeiras que serviam para a tecelagem nos teares manuais ainda de braços mecânicos e lançadeira! Com esses teares o meu pai fazia uns tecidos que depois vendia para fazer malas e sapatos! Tenho uma recordação muito nítida de uma dia a minha mãe ter vindo à porta espreitar a chegada do meu irmão Fernando, que estaria a chegar da escola primária. Lembro-me de olhar pela estrada abaixo e ver o Fernando a chegar de batinha branca e pasta na mão! Como ele entrou para a escola primária com seis anos, eu teria na altura os meus quatro anos. Os meus pais várias vezes apontaram o facto de se terem desmazelado na questão da entrada tardia do Fernando para a escola primária! Na altura os pais que tinham os filhos em idade de entrar na escola, lá pelo mês de Outubro, pegavam nos seus rebentos e iam com eles até à escola de Gueifães e falavam com um Sr. Gomes, que era o responsável pela escola (e que desconfio era também o homem do regime na aldeia!) e propunham a entrada deles numa das turmas do ano a iniciar.

CR 1967

Sei que comigo foi assim; em Outubro de 1967, o meu pai foi comigo até Gueifães na sua Opel Kadett e pediu para falar com o Sr. Gomes; estávamos na escola nova de Gueifães e numa entrada das salas o tal senhor recebeu o meu pai. Olhei para dentro da mesma sala e reparei nas carteiras cheias de alunos de bata branca, descontraídos e mostrando um certo orgulho perante este novato que ia entrar pela primeira vez para a escola. Depois de uma conversa entre os dois adultos, o Sr. Gomes dirigiu-se a mim e disse: – Meu rapaz! Sentas-te lá atrás naquela carteira e ficas quieto e calado! Depois foi a vez do meu pai fazer a mesma recomendação! Lá fui e lá me sentei na dita carteira e fiquei tão quieto e calado, absorvendo tudo com os meus olhos, que ao fim do período da manhã, quando saí, não sentia o meu corpo de tão hirto e  quieto! Foi uma nova experiência e outras se seguiriam! O facto de meu pai ter pedido ao meu avô João para me acompanhar nas primeiras contas e letras, quando fui às primeiras aulas eu, irmão do outro Rocha, cheguei… vi…. e venci! Sabia bem as contas e escrevia já desembaraçado e por isso fui colocado na fila dos “bons”! Não foi difícil a nova vida, antes pelo contrário, fiz muitos novos amigos, novas experiências e o Professor que quase sempre me acompanhou na primária, era um professor que apesar de duro, era justo e ensinava bem! Já na 3ª classe o Mingos entrou para a minha turma, ele que normalmente acompanhava o Fernando, mas como tinha reprovado, ficou outra vez na 3ª! Grandes amigos continuamos a ser e lá continuamos pelo ensino preparatório, na Escola Preparatória da Maia, bem no centro da Maia, precisamente onde agora está implantada a Câmara da Maia e o Fórum da Maia! Os grandes amigos da altura da primária: o Dinis, o Rui “Pica”, o José Henriques, o Jorge Cabral e outros que me lembro bem da cara mas que não sei do seu paradeiro! Grandes Tempos! Não tenho dúvidas que são uns tempos formidáveis aqueles que se vivem quando temos 9, 10 ou 11 anos, independentemente da condição económica, da situação política e outras, que são colocadas em 2º plano. Nós e a nossa vivência estão em primeiro, nós somos o centro do universo!

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O exame da 4ª classe, na altura era muito importante, porque para muitos colegas representava o fim da linha, o fim dos suplícios, o começo da vida quase adulta, da possibilidade de ir trabalhar e ganhar dinheiro. O exame na altura era feito com pompa e circunstancia e até o Diploma era entregue em cerimónia especial, no meu caso entregue ao meu pai na antiga Câmara da Maia! Lembro-me que tive que tirar uma foto tipo passe por essa altura, não me recordo especificamente com que fim!

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