História da Minha Vida

Restaurante Sebastião Alfaiate

Sebastião

Houve uma altura na nossa vida em que os meus pais falavam no facto de haver uma fábrica lá em casa e dos problemas futuros devido a essa verdade! Todo o rendimento familiar provinha dessa pequena fabriqueta de passamanarias na qual toda a família trabalhava! Lembro-me da minha mãe Primavera referir o facto de que seria bom arranjar outro tipo de rendimento, o qual libertasse os filhos da rotina do trabalho, numa altura em que nós (os dois irmãos – a irmã tinha acabado de nascer!) estudávamos os dois no Liceu Normal D. Manuel II, no Porto! Por incrível que pareça, também o meu pai tentou e tentava situações que facilitassem a vida à família! O exemplo, penso eu, vinha dos vizinhos, pais do Toni e da Nini, a D.ª Euridice e o Sr. Monteiro. Ele trabalhava fora e sempre me lembro de ele sair de manhã e voltar religiosamente àquela hora da tarde, de autocarro dos STCP! O que ele fazia, ainda hoje não tenho a menor ideia! O que é certo é que a certa altura o meu pai surgiu em casa com a novidade da compra de uma sociedade num restaurante em Coimbrões, o Sebastião Alfaiate. A notícia deixou-nos a todos surpresos, mas foi uma fase bem diferente da vida em família! A fabriqueta lá continuou, em fase de hibernação, e o meu pai a sair de manhã cedo e a regressar bem tarde, já depois de jantar, bem perto da meia-noite. Sempre trazia umas “lembranças”, comida e bolos que tinham sobrado no dia no restaurante! A minha preferência ia para o “toucinho do céu” especial e que era de facto muito bom!

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Aos domingos, o pai deixava-nos em casa da avó Micas Meira e lá rumava a Coimbrões! Alguns domingos também eu acompanhava o meu pai, principalmente no verão, e ajudava como podia no restaurante! Passados anos fiquei sempre com dúvidas quanto à data em que tais acontecimentos tiveram lugar. Fazia ideia que teria sido por volta do 25 de Abril da revolução, mas não havia provas disso! Recentemente, ao compilar e digitalizar as fotos da família, eis que descobri uns “recibos” dos pagamentos efectuados pelo meu, para a quota no dito restaurante. A aventura gastronómica deve ter começado no ano de 1973, pois a foto acima indica a data de Setembro desse ano e mostra o pai a trabalhar na copa do restaurante. Os pagamentos devem se ter estendido por um ano ou mais e assim entra-se no período revolucionário com a comida entre mãos!

Sebastião 1

Eis que surgia a prova da data destes acontecimentos, pouco antes da revolução dos cravos e durante a fase crítica do casal com o nascimento algo extemporâneo da minha irmã Alice! As coisas lá decorreram durante uns meses, até que, creio eu, no início de 1975 a incompatibilidade surgiu entre os sócios e a sociedade desapareceu, bem como as idas e vindas do meu pai, os petiscos extra, etc.! A fabriqueta continuou a constituir a fonte rendimento, até à próxima tentativa de trabalho externo do meu pai, como encarregado de produção na Conde & Companhia, uma fábrica de veludos e tecidos nobres na Maia! Uma peripécia a ser contada noutra altura!

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